Wilhelm Dilthey foi uma figura de destaque nas discussões filosóficas e científicas
mais emergentes entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX.
Ficou conhecido pela tentativa de oferecer uma fundamentação epistemológica
adequada às ciências do espírito. Poucos sabem, entretanto, sobre a influência
que exerceu no pensamento de Martin Heidegger. De Dilthey, o Filósofo de Ser
e Tempo recebeu intuições fundamentais para repensar a vinculação teórica que
mantinha, no início de sua vida acadêmica, com o neokantismo da Escola de Baden
e com a fenomenologia de Husserl. Dilthey despertou em Heidegger o interesse
pelo fenômeno da vida, do tempo e da história como elementos importantes
para recolocar a questão do “sentido”, fazendo-o ampliar, assim, o horizonte de
compreensão da filosofia para além de suas funções puramente intelectuais. Com
Dilthey, Heidegger descobriu que o “sentido” não é dado por uma subjetividade
transcendental; não está situado em um universo ideal, unívoco, atemporal mas, antes, é o originariamente vivido, singular e temporal. Para Dilthey, a vida é temática filosófica por excelência e não pode ser apreendida por meio de postulados lógicos ou axiológicos instituídos a priori. Heidegger encontrou na filosofia diltheyana um caráter prático, pré-teórico, através do qual é pensada a “estrutura da vida”. A vida é interpretada a partir de si mesma enquanto se vive, em contextos significativos, de modo que nada pode ser compreendido fora dela. Esta obra apresentará ao leitor as contribuições efetivas que Dilthey, com sua análise sobre a historicidade e a temporalidade da vida humana, trouxe à elaboração da hermenêutica da facticidade e, ainda, à hermenêutica da existência de Heidegger.